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Miss Unicorn

Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo.

Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo.

Miss Unicorn

16
Fev18

Dar asas à imaginação

As nuvens negras enchiam o céu, tapando qualquer raio de sol que quisesse aparecer. O silêncio daquela manhã era quebrado pelo choro, mais ou menos contido, daqueles que sofriam. Dezenas de corpos vestidos de preto deslocavam-se em marcha lenta pelo cemitério. Família, amigos, colegas de trabalho ou meros conhecidos que queriam prestar a sua homenagem.

Harry segurou a mão da mãe com força, num aperto correspondido, enquanto o padre iniciava uma leitura bíblica sobre a perda e o luto. O corpo do irmão era descoberto uma última vez, para ser depois subterrado para sempre.

 

À vez, os familiares mais próximos aproximavam-se para a última despedida. Louis colocou dentro do casaco de Stephan uma fotografia dos dois na sua oficina. Como o tempo tinha passado depressa. Se fechasse os olhos ainda conseguia imaginar o filho a trabalhar consigo, há mais de dez anos atrás. O pequeno rádio a pilhas tocava as músicas do momento, acompanhadas pelo seu assobio, e as suas caras e mãos enchiam-se de óleo, que nem por isso os impedia de trocar piadas e histórias.

 

Daisy arrastou-se, a custo, para o caixão, ajoelhando-se e proferindo palavras inaudíveis para os restantes. As lágrimas não pareciam dar tréguas e ela não conseguia parar de se culpar. Talvez, se tivesse chegado mais cedo, nada disto estaria a acontecer. Talvez, se não o tivesse deixado afastar-se e lhe tivesse implorado para dançar mais uma vez consigo, Stephan não teria ido para aquela sala sozinho. Mas nenhuma suposição no mundo iria mudar o passado. Deixou as lágrimas escorrerem livremente, enquanto regressava para o abraço dos pais.

 

Ava deixou a sua cabeça tombar no peito do filho e chorou. Nunca na sua vida tinha experienciado qualquer tipo de dor física que se pudesse assemelhar à dor psicológica que sentia. Nenhum pai deveria passar por aquilo que passava naquela gélida manhã. Segurou as mãos de Stephan nas suas e fitou o seu rosto sereno uma última vez. Queria fechar os olhos e acordar daquele pesadelo. Queria voltar atrás no tempo, para que pudesse reviver a infância dos filhos. Queria ter levado Stephan a todos os parques de diversões, e ter-lhe comprado todos os gelados, de todos os sabores e mais alguns. Queria o seu menino de volta.

 

Por fim, Harry. Aproximou-se, sem saber o que fazer. Por algum motivo que não compreendia, as lágrimas não lhe picavam os olhos e as suas pernas não tremiam. Talvez por nunca ter sido muito chegado ao irmão. Todas as picardias, as competições, as discussões parvas entre dois adolescentes. Tudo isso, e para quê? Naquele momento, deu por si a desejar que tudo tivesse sido diferente. Desejava ter criado laços mais fortes com Stephan. Desejava não ter sido tão duro com ele, ter tido atitudes do irmão mais velho que devia ser. Ter ficado em DC, perto da família que amava, ao invés de se ter mudado para a outra ponta do país. Lá estavam elas, as lágrimas que teimavam em não cair. Sentia-as a aglomerarem-se nos seus olhos e enublarem-lhe a visão. Fitou o irmão pela última vez. Céus, como desejava puder mudar o passado.

 

 

(O pequeno texto que hoje partilho convosco é da minha autoria e faz parte de uma história escrita em conjunto com uma amiga, intitulada de "Vip List". Estamos a partilhar a nossa história no Wattpad e, apesar de este capítulo ainda não se encontrar lá, podem ler o resto aqui, caso estejam interessados.)

13
Fev18

Era Uma Vez... com a FatiaMor

Estamos habituados a ler as peripécias dos filhos mas, desta vez, os papeis inverteram-se! A FatiaMor, do blog "A Vida às Fatias" aceitou o meu convite para partilhar as suas histórias mais engraçadas de infância. Vejam o que ela tem para nos contar:


Todos os dias escrevo sobre as pérolas dos meus filhotes. As crianças têm o condão de nos emocionar, pôr a rir e desesperar em 5 minutos. E eu, apesar ter sido sempre uma criança calma e bem comportada, também tive os meus momentos. Por isso, acho que devo fazer jus aos meus filhos, que tantas gargalhadas têm oferecido à malta, vou contar-vos dos momentos em que eu, FatiaMor, era uma fatiazinha e envergonhei a avó Fatias à grande e à francesa!

Apesar de ter vivido quase toda a minha vida aqui no sul do país, a verdade é que os primeiros algarvios são os meus filhos. Nós viemos para cá, ainda não tinha três anos, e envolveu uma grande mudança familiar, com compra de casa incluída.

Nessa compra de casa, ao que parece, existiram vários encontros com a dona da casa. E parece, também, que a dita senhora trazia sempre o mesmo casaco. 

Ora bem, num dos últimos encontros, já depois de a venda estar acordada, estaríamos todos reunidos quando eu - educadinha que só visto - terei pedido para falar.

Diria eu, que quando uma criança pede para falar é quase certo que vai sair asneira. Porém, como eu era uma criança certinha, ninguém desconfiou de nada.

Assim que todos se calaram e me deram a palavra, dirigi-me à antiga dona da casa e perguntei-lhe: "só tem um casaco? é que anda sempre com o mesmo!"

Eu quero acreditar que aos 3 anos de idade não me expressava assim tão bem, mas toda a gente jura a pé juntos que não me troquei em nenhuma palavra e a mensagem foi bem compreendida. A senhora ter-se-á feito da cor do tomate maduro e tentou desviar o assunto de forma airosa, enquanto a minha mãe se engasgava de surpreendida e os meus avós controlavam o riso. 

Mas não me fiquei por aqui.

Passaram-se uns anos. E já mais crescida e ajuizada, dir-se-ia que deveria ter discernimento para perceber quando deveria usar uma mentira branca. Mas, como os meus avós me andavam sempre a dizer que não se devia mentir (e não se deve, na verdade), estava propensa a levar isso demasiado à letra.

Ora, a dita casa tinha um intercomunicador para podermos falar com quem tocava à campainha, sem imagem, é claro, que estavamos nos anos 80! Portanto, como a minha mãe suspeitava que uma amiga iria tocar, para lhe dizer para ir beber um café e ela não estava na disposição de ir, disse-me que, se tocassem à campainha, para dizer que ela não estava (bons tempos esses, em que desaparecíamos se estivéssemos em casa e ninguém dava por nada!).

Tal como previsto, toca a campainha e lá vou eu, toda lampeira.

"Sim, ah senhora X, sim sim, a minha mãe mandou dizer que não estava".

Vejo a minha mãe a correr, desesperada pelo corredor, a tirar-me o intercomunicador das mãos e a dizer que era apenas uma brincadeira.

Nesse dia, aprendi a diferença entre literal e figurativo! E ainda hoje, em noites de festa familiar, esta história vem à baila para nos rirmos um bom bocado!

 

E pronto, era uma vez quando eu era uma Fatia pequena e com uns momentos traquinas!

 

30
Jan18

Os Pilares da Terra (mini série)

"Os Pilares da Terra" é uma mini série de 8 episódios, baseada nos livros de Ken Follet, com o mesmo nome.

 

Depois da morte do rei Henrique I, na sequência de um naufrágio, inicia-se uma incessante batalha pelo trono, entre a filha e o sobrinho. Os nobres e os membros do clérigo escolhem os seus lados, todos na procura de poder. Enquanto isso, Prior Philip, um monge, e Tom, o construtor, lutam para construirem uma catedral, em Kingsbrigde, a cidade fictícia onde é passada a série.

 

 

A série de 2010 conta com uma excelente escolha de elenco, que valeu 3 nomeações para os Globos de Ouro. Alguns dos nomes mais conhecidos são os de Ian McShane, que interpreta Waleran Bigod, um membro do clero, e o vencedor de um Óscar, Eddie Redmayne, que deu vida a Jack, o escultor.

 

"Os Pilares da Terra" recebeu, na sua maioria, críticas positivas pela realização e elenco. Mas, como já é de esperar em todas as adaptações feitas de livros para os ecrãs, nem tudo corresponde ao que foi escrito por Ken Follet. Quem leu o livro vai reparar que algumas partes das histórias foram omitidas e outras alteradas, como a idade de algumas personagens.

 

 

 

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