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Miss Unicorn

Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo.

Miss Unicorn

Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo.

Era Uma Vez... com a Miss Queer

A convidada de hoje é a outra Miss aqui do bairro, a Miss Queer, do blog Dez Segundos, que aceitou o meu convite para partilhar uma história da sua infância connosco. Sem mais demoras, aqui está o que a Miss tem para nós:

Então, então, muito obrigada pelo convite, Miss Unicorn! E bom dia a todos!

Estão preparados para embarcar nesta aventura que foi a minha infância?

Devo dizer-vos que, ao contrário do que acontece agora, em criança tinha muita facilidade em adormecer. Ia ao café com a minha mãe e com uma amiga, adormecia (inclusivamente em pé, encostada ao balcão). Estávamos numa reunião familiar, eu adormecia. Quem me dera ainda ser assim.

Mas, como todos (ou quase todos) sabem, em determinada altura da minha vida, percebi que sou lésbica. Mas nem sempre foi assim. Ao contrário do que digo… eu tive um namorado.

O Fábio vivia na minha rua, os nossos pais (e os avós dele) eram muito amigos, conhecemo-nos desde que eu nasci – isto porque ele é mais velho – e ainda andámos juntos no infantário durante um ano – o meu primeiro e o segundo dele.

Passávamos os dias juntos, quer no infantário quer quando íamos para casa. No batizado da boneca, há fotografias nossas, de mãos dadas, a fazer de pais da boneca, todos fofinhos.

Porém, certo dia, chego a casa e a minha mãe informou-me que o Fábio lá iria com a avó. A campainha tocou e eu desapareci.

Correram a casa à minha procura e não me encontraram. A minha mãe deu-lhes conversa, para ver se eu aparecia e nada. O Fábio continuou à minha procura e não me encontrou. Desistiram. A minha mãe pediu desculpa, seriamente preocupada (e envergonhada), e eles foram embora.

Ele deve ter feito alguma coisa nesse dia e eu não gostei, mas não me lembro o quê. Provavelmente defendeu-me de alguém e eu fiquei com medo dele… Ao ouvir a campainha tocar, escondi-me debaixo da cama e adormeci. Depois de eles se irem embora, a minha mãe lá se lembrou de me procurar naquele sítio tão óbvio e encontrou-me. Acordou-me e perguntou-me o motivo da minha atitude, disse que o Fábio tinha ido embora muito triste. Expliquei que estava com medo dele, que ele era mau. E a minha mãe, mesmo sem compreender, aceitou (entre muito riso). Mas foi contar à avó do Fábio! Fui gozada por estar a dormir debaixo da cama!

O pior… É que nós continuamos amigos. E ele faz questão de me relembrar esta história!

Há poucos anos, fui ter com uma amiga a um quartel (ela é do exército). Qual não é a minha surpresa quando aparece o Fábio e solta um grito «olha a rapariga que adormeceu debaixo da cama!». Imaginam a minha cara?

Uma coisa é certa… Nunca mais me escondi de ninguém debaixo da cama!

 

Muito bom! Obrigada pela tua participação, Miss 

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